14 Comentários
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Avatar de Gabriel Lucas Scardini Barros

Aproveitei esse hype de 2016, para revisitar o meu ano de 2016, nas memórias e fotografias. Como minha filha nasceu em dezembro de 2015, 2016 foi um ano muito dedicado a ela (isso eu lembrava), mas o legal que redescobri muitas coisas legais nesse ano.

Naturalmente, não teve balada, nem show nem festival, mas foi um bom ano.

Avatar de Lalai Persson

Que ótimo! E, provavelmente, teve música. ♥️

Avatar de GAL

Gostei muito do texto e de você ter trazido inspirações e fontes. Realmente faz sentido essa mudança de estilo!

Avatar de Lalai Persson

Obrigada pela leitura e por comentar! Feliz que curtiu o texto. ♥️♥️

Avatar de Cristian Steiner

Que riqueza de análise e interpretação! Gostei muito da reflexão sobre o algoritmo na subjetividade. Eu acho que sempre tive meu próprio algoritmo em relação a música, sempre preso emocionalmente no rock nacional dos anos 80. Poucas vezes me abri para tendências do momento.

Sempre senti 2016 como um ano em que se perdeu algo importante, ilusões importantes para sentir-se bem. Talvez a mais importante era a de que a democracia fosse uma coisa forte.

Avatar de Lalai Persson

Interessante você voltar a 2016 e já ver ali a democracia em ameaça (ou fim?), acho que a maioria se iludiu por uns anos ainda até ver dessa maneira, incluindo eu. Aliás, ontem estava conversando com um amigo sobre a morte do rock (de maneira mainstream) x a volta. Sei que é um assunto que dá muito pano pra manga, mas talvez em algum momento eu me arrisque a escrever sobre isso. :)

Avatar de Cristian Steiner

É, sim, é ali, em 2016, que eu enxergo essa ruptura. Aquele cínico impeachment. A vitória de Trump (aquilo era uma ideia risível, para mim). Eu acho que antes de 2016 eu pensava que o mundo caminhava para um estado de bem estar social geral. Eu tinha essa ingênua esperança, mais do que isso, uma fé, uma convicção, quase uma certeza.

O seu texto faz tanto sentido para mim porque entra nessa camada. A evolução da complexidade e agressividade do algoritmo acompanhou a evolução da complexidade e agressividade nos ataques aos valores e estruturas da democracia.

Bom, isso aqui também dá pano pra manga .

Falando em pano pra manga, eu acho que seria um texto muito interessante esse da morte e ressurreição do rock (eu seria leitor e comentarista certamente).

Outro dia eu falava com um amigo sobre o fim do rock de protesto, quando traduzia para ele uma letra do Titãs para o italiano.

Aqui na Itália vejo ainda dessas bandas novas que surgem já com músicas críticas. "Lo Stato Sociale" é uma que já nasce com um nome sugestivo. Gosto bastante.

O que eu noto é que a crítica social ficou mais para as mãos do rap e rip hop (ouça Caparezza se por un acaso muito improvável não conheça). Pode ser preconceito meu, mas a morte do rock para mim é quando ele se tornou burguês demais.

Avatar de Luan

quando começou toda essa onda de 2016 eu achei ela um pouco estranha, quase muito pessimista. como se só aquela época foi boa e agora, 10 anos depois tá sendo ladeira abaixo (não que esteja um mar de rosas). mas me permiti revisitar algumas memórias, foi sim um ano bom, mas ao mesmo tempo carregadíssimo de incertezas. 10 anos depois eu tenho novas incertezas e entendi que isso faz parte, mas o melhor desses 10 anos foi entender que não precisa de muitas certezas que antes eu precisava e, para algumas perguntas eu nem preciso de resposta. basta a pergunta.

Avatar de Lalai Persson

Saber a pergunta sempre foi o mais importante. Concordo com você. Pra mim, como falei, foi um ano bem especial. Fiquei na borda, quase alheia de tudo que estava acontecendo no mundo. Então foi um ano quase quentinho com exceção de uns problemas familiares que rolaram. Mas nunca será perfeito, né? Pra mim, o meu maior medo é perder a fé no amanhã.

Avatar de Luan

já compartilhamos algo então (para além da música) também tenho medo de perder a fé no amanhã. mas a gente segue com ela e com as perguntas certas.

Avatar de Amanda Foschini

Eu fui, eu tava na catarse do Dekmantel 2016. Ainda bem <3

Avatar de Lalai Persson

Vi tanta foto nossa ontem enquanto escolhia fotos pro post, mas estamos muito tortas de felicidade 😂😂

Avatar de João Vítor Juliano

Fazendo um paralelismo meio torto, mas ao ler o texto lembrei-me daquela cena final de Call Me by Your Name, quando o Oliver sobe no trem e o Elio o vê partir. O Luca Guadagnino opta por não colocar música nenhuma, só o som ambiente do trem a sair. A escolha mais óbvia teria sido uma trilha super melancólica, quase nos conduzindo pela mão até o choro, mas ele faz o oposto: deixa espaço para que cada um processe a cena à sua maneira. O filme é de 2017 (rs), mas quando penso no meu consumo de música desde 2016, não só mudou como diminuiu bastante. O meu Wrapped daquele ano mostrava +80k minutos de música; hoje não chega a 20 mil. Para além de a música ter ficado mais “bland” e de já não haver tanto o “drop”, como você bem explica, acho que eu próprio fui perdendo o interesse em deixar que a música atravessasse ou ditasse a experiência que eu estava a viver. Sabe aquela sensação de estar em Paris, São Paulo ou Nova York e parecer tudo igual? Em parte eu julgo que é por estarmos sempre de fones nos ouvidos, quase que nos forçando a sentir algo através da música, em vez de simplesmente viver o som do ambiente. Enfim, não sei se fez totalmente sentido ou se consegui mesmo conectar os pontos, mas foi o que me veio à cabeça ao ler o texto. Obrigado pela partilha!

Avatar de Lalai Persson

Nossa, não lembro do fato de não ter música nessa cena. Talvez eu não tenha mesmo prestado atenção (fiquei curiosa em revê-la). Eu ouço muita música, mas meu consumo é menor do que já foi, especialmente porque há alguns anos, eu comecei a me interessar bastante pelo som das cidades, então eu raramente ouço música quando estou na rua. Como faço um guia cultural de Berlim, acabo ouvindo muita coisa nova, mas são raras as vezes que me emociono de fato, porque como você falou, tá tudo parecido. Porém, eu ainda acredito demais no poder da música e estou sempre buscando momentos de catarse na música ao vivo.